terça-feira, 17 de junho de 2008

Elias J. Torres Feijó: «Para que nos serve umha cultura? Sistemas e planificaçom cultural na Galiza»

«Devemos evitar o confronto social-civil para conseguir maior adesom ao carácter vertebrador da língua»

A Esmorga / MDL / PGL - «As comunidades precisam de elementos culturais para funcionar sobre a base da sua coesão social. Nos seus processos e por diferentes mecanismos vão seleccionando aqueles em que se reconhecem com maior facilidade, aceitando ou resistindo propostas, imposições, etc.», assim podemos apresentar a interessante conferência que, subordinada ao título «Para que nos serve umha cultura?: Sistema e planificaçom cultural na Galiza», pronunciará o professor Elias J. Torres Feijó nesta quarta-feira, dia 16 de Abril, no quadro das I Jornadas de Língua em Ourense. Um acto a nom perder que está marcado para as 19h30 na sala 04 do Edifício de Ferro do cámpus universitário da cidade das Burgas.

O vice-reitor da Universidade de Compostela, bem como vice-presidente da Associação Internacional de Lusitanistas, debruçará sobre algumas dessas propostas, imposições, etc. que acabam mesmo por ser interpretadas como inerentes ("essenciais") à (não 'da') comunidade por parte de algumas elites ou grupos.

Segundo Torres Feijó, isto pode empecer as tomadas de decisão para a continuidade da comunidade e a sua coesão e pôr em risco o próprio objectivo que se persegue, ao perder de vista o carácter instrumental desses elementos, fixar uma hierarquia que não se corresponde com os valores e desejos da comunidade ou apresentá-la de modo insatisfatório para um conjunto importante da mesma. «Galiza está numa tessitura destas características. A Galiza actual está numa tessitura importante e está decidindo».

— Para que serve à nossa cidadania a língua galega e a cultura gerada em torno dela?

Para o que ela quiger. Nestes momentos, em termos positivos e para umha maioria ampla, para ter um referente colectivo coesionador simbólico e de vário tipo, lesado pola continuada polémica em torno ao uso público (e, em parte, privado) da mesma; nesse sentido mais minada que outros referentes.

— Que seria preciso para elevar a escassa valorizaçom que regista hoje?

Aumentar a sua utilidade, fazendo a maior parte da cidadania partícipe e responsável do seu mantimento e progresso, desde qualquer posiçom, mesmo do 'nom uso', evitando o confronto social-civil para conseguir maior adesom ao seu carácter vertebrador.

— Que achas em falta tacticamente no movimento nacional galego no que diz respeito da língua e da cultura?

Já responder de modo breve às outras perguntas é custoso; esta mais, ainda que julgo fica respondida na pergunta anterior. Renovo a ideia de tentar evitar a confrontaçom privada e cívica e de reexaminar os objectivos que queremos cumprir e como, fugindo do essencialismo e tentando progredir na adesom social. Julgo que rebaixar a tensom criará mais aderentes ao processo.

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