sábado, 28 de junho de 2008

Precisamos ideias

Já ficou atrás segundo (ainda que haja de aguardar polas qualificaçons, e ir a Setembro). Agora toca pensar em terceiro, nom nas matérias que imos ter, senom no Passo de Equador.

O destino será, se ninguém o impede, o Brasil. Mas, temos de pensar como juntar o dinheiro que nos fai falta para ir lá.

De estardes inspirados e ter algumha ideia,
agradecer-vos-emos que no-las dixérades.

Muito obrigado

terça-feira, 24 de junho de 2008

A história oculta

O que se transcreve a continuaçom é umha página do diário de um senhor falecido no dia de hoje. Nom se sabe se o motivo da sua morte foi a sua avançada idade ou a notícia do falecimento da mulher da que fala na seguinte história.

Martes, 24 de Junho de 2008.

Enterei-me hai pouco do falecimento da mulher á que eu mais amei na minha já longa vida. Guardei durante muito tempo este segredo e creio que já é hora de desvelá-lo. Nom aturo mais este tormento que me consome por dentro. Estivem com muitas mulheres, casei três vezes e divorciei-me outras tantas. Nunca me saiu bem umha relaçom estável, por que nunca pudem esquecer àquele amor que me marcou por sempre.

Tenho oitenta e dous anos e vejo rente à morte, mas nom quero que me enterrem com isto dentro minha. Por isso hoje, com os últimos folgos, vou-vos contar a história daquele amor.

Tínhamos catorze anos. Íamos no mesmo liceu, no mesmo curso, ainda que em aulas separadas. Eu nunca me fixara nela, porque pertencíamos a distintas pandilhas. Pouco a pouco, e por diversos motivos, fomo-nos conhecendo. Nom tardei em dar-me conta do que tinha diante minha, umha mulher formosíssima e inteligente, mas fora do meu alcance.

Os pontos em comum, entre ambos, eram (e seguem sendo) mui poucos. Provocava-a com insultos para que me fizesse caso, mas isso nom conduzia a nengumha parte.

O tempo foi passando e chegou a hora de separarmo-nos. Deixava-mos atrás o liceu e começávamos a universidade. Àqueles dia a dia de insultos e de idas e vindas a sua aula ver se estava, mirá-la e depois marchar, acabaram. Escolheria a sua carreira e nom a voltaria ver nunca mais.

Agora, com os anos passados, sou consciente de que o nosso nom ia ir adiante. Sei que nunca lhe caim bem e ademais, as nossas diferenças som muito grandes: ela é eléctrica, eu sou mais tranquilo. Ela podia botar semanas sem ir a alguma que outra aula, eu ia a todas. Se a deixavam, ia toda a semana de festa, a mim, a minha vagaria impedia-mo. Do meu humor escarninho, às vezes mui cruel, ela nom gostava...

Esta é a história que vos queria contar. Por fim, depois de muitos anos podo botar fora todo isto. Se nom o fixem antes foi por vergonha, mas agora que ela morreu e que a mim pouco me falta, nom me importa nada.

Se existir outro mundo, lá nos vemos.

Descansa em paz, meu amor.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Quixera...

Quixera fazer poemas coma nada.
Grafar os versos mais formosos do mundo
com só pousar a pluma na folha branca.
Ó grandes bardos! Vós sabeis do que falo.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Elias J. Torres Feijó: «Para que nos serve umha cultura? Sistemas e planificaçom cultural na Galiza»

«Devemos evitar o confronto social-civil para conseguir maior adesom ao carácter vertebrador da língua»

A Esmorga / MDL / PGL - «As comunidades precisam de elementos culturais para funcionar sobre a base da sua coesão social. Nos seus processos e por diferentes mecanismos vão seleccionando aqueles em que se reconhecem com maior facilidade, aceitando ou resistindo propostas, imposições, etc.», assim podemos apresentar a interessante conferência que, subordinada ao título «Para que nos serve umha cultura?: Sistema e planificaçom cultural na Galiza», pronunciará o professor Elias J. Torres Feijó nesta quarta-feira, dia 16 de Abril, no quadro das I Jornadas de Língua em Ourense. Um acto a nom perder que está marcado para as 19h30 na sala 04 do Edifício de Ferro do cámpus universitário da cidade das Burgas.

O vice-reitor da Universidade de Compostela, bem como vice-presidente da Associação Internacional de Lusitanistas, debruçará sobre algumas dessas propostas, imposições, etc. que acabam mesmo por ser interpretadas como inerentes ("essenciais") à (não 'da') comunidade por parte de algumas elites ou grupos.

Segundo Torres Feijó, isto pode empecer as tomadas de decisão para a continuidade da comunidade e a sua coesão e pôr em risco o próprio objectivo que se persegue, ao perder de vista o carácter instrumental desses elementos, fixar uma hierarquia que não se corresponde com os valores e desejos da comunidade ou apresentá-la de modo insatisfatório para um conjunto importante da mesma. «Galiza está numa tessitura destas características. A Galiza actual está numa tessitura importante e está decidindo».

— Para que serve à nossa cidadania a língua galega e a cultura gerada em torno dela?

Para o que ela quiger. Nestes momentos, em termos positivos e para umha maioria ampla, para ter um referente colectivo coesionador simbólico e de vário tipo, lesado pola continuada polémica em torno ao uso público (e, em parte, privado) da mesma; nesse sentido mais minada que outros referentes.

— Que seria preciso para elevar a escassa valorizaçom que regista hoje?

Aumentar a sua utilidade, fazendo a maior parte da cidadania partícipe e responsável do seu mantimento e progresso, desde qualquer posiçom, mesmo do 'nom uso', evitando o confronto social-civil para conseguir maior adesom ao seu carácter vertebrador.

— Que achas em falta tacticamente no movimento nacional galego no que diz respeito da língua e da cultura?

Já responder de modo breve às outras perguntas é custoso; esta mais, ainda que julgo fica respondida na pergunta anterior. Renovo a ideia de tentar evitar a confrontaçom privada e cívica e de reexaminar os objectivos que queremos cumprir e como, fugindo do essencialismo e tentando progredir na adesom social. Julgo que rebaixar a tensom criará mais aderentes ao processo.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Galicia versus Galiza

Num artigo anterior a este falava eu de como tudo que é galego tem necessariamente que ser espanhol; agora venho de dar um passo mais à frente na minha hipótese, e logo de ter feito umas observações que vou partilhar aqui, afirmo que a relação espanhol-galego é muito mais complexa do que eu tinha antecipado e que hoje posso afirmar que... “tudo o que é espanhol é, ou é susceptível de ser, galego” .

Já o afirmava a famosa frase da Galicia Vil “el castellano es tan gallego como el gallego”

Bom, as minhas observações começaram um dia que eu passava por diante duma televisão na que se estava a ver uma série chamada “Padre Casares”. Logo de observar que nem os padres nem os que faziam de gente na série tinham nenhum feitio que eu pudesse identificar como da nossa cultura... mais bem tudo me parecia uma cópia de qualquer outra cousa... fui informada pola minha filha de que a tal série tinha arrancado com os moços do lugar a querer botar um porco (referindo-se a um dos do cortelho, e não a um de duas pernas, como muitos puderam estar a pensar) do campanário em baixo, e com o cura a o evitar...

A mim lembrou-me o porquinho de São António, que ia de porta em porta com um chocalho e cada dia seu vizinho lhe botava de comer... até que estava cevado e então o senhor cura chapava-o... Bom, pois até esse dia, o dia da tal série da TVG, esse de São António era o único porco, dos do cortelho vá, que eu tinha relacionado com a Igreja...

O assunto do campanário também me lembrou ter ouvido que lá na profunda Espanha castelhana há um lugar onde diz que tiram uma cabrita dum campanário em baixo, não sei bem para celebrar que cousa. Eu então compreendi que a tal série da TVG estava a trabalhar no projecto que eu chamo “cultural global” que consiste em conseguir que tudo aquilo que é espanhol seja também galego; e nessa série se demostra que o trabalho se pode fazer não só para o futuro, que parece bem mais fácil, senão que também para o próprio passado... se algo foi espanhol, tem necessariamente que poder ter sido galego...

Se, passados os primeiros escrúpulos, somos capazes de aceitar que nalguma aldeia das nossas alguma vez se pôde ter botado a um bichinho de um campanário em baixo, estaremos mais cerca dessa transformação total... alguns passos já se levam dado nesta direcção... e eu não vou mencionar aqui o que todos bem sabemos e nos está a bater nas ventas mesmo.

E já agora tenho que falar de Pol Pot, que surpreendentemente também aparece numa série da tal TVG, e esse sim que também não é porco nosso, nem mesmo é de muita conhecia. O porco de aqui, o único porco, que até teria pontuado bem alto no “galegómetro” é um que nascera em Ferrol de Si Mesmo, e que por acaso, por ser galego demais, ou tirano demais, não é incluído na série essa das quintas-feiras onde botam o clube dos ditadores infames.

Pois sim, assim é como está tendo lugar a transformação de tudo... e quando algo é galego demais e por tanto com dificuldades para caber dentro da Espanha, pois se elimina e prontos. Por exemplo, os actores que façam de galegos não devem ser (de poder-se evitar) galego-falantes, porque têm demasiado sotaque (apague-me aí ese seseo, hombre de dios, que se le nota a las leguas que es usted de la Cuesta de la Muerte)... Ou como um amigo meu de Lugo que também tem sido mal mirado às vezes na TVG por ter um jeito de falar que parece mais galego do necessário...

Mas tudo isto não foi inventado pola TVG, eles adoptaram esse estilo mas eles não o inventaram; não, isto já vem dos anos dourados de Hollywood, daqueles clássicos onde os índios também não serviam para fazer de índios, e usavam actores brancos tingidos, ou por vezes botavam mão dos mexicanos que dissimulavam algo melhor a cor.

E isto que eu vinha observando desde há algum tempo foi-me confirmado definitivamente polos últimos acontecidos que envolvem a Real Academia Galega e o nome do nosso país; que por ser Galiza um chisco galego demais, e portanto ter dificuldades para poder ser visto como espanhol, pois se reverte o processo e já está; se faz o espanhol ser galego e assunto ressolto... isto é como o conto de Mahoma e montanha.

Depois de assumido isto “Galicia” é tão galega (até haveria que dizer “gallega” para manter a coerência, não é?) como “Galiza”, que diria o outro; e com isso a RAG põe a “puntilla”, que já agora devo dizer que aqui não vai em referência àquelas pontilhas de encaixe com as que nossas mães nos tapavam a cara quando crianças para correr o entroido o dia da mascarada... não, não é isso, isso era antes, foram tempos... aqui “puntilla” refere-se a uma cousa afiada tipo faca pequeneira com a que nesses lugares da Espanha profunda, por ai por onde atiram animais dos campanários em baixo, espetam na cabeça a algum animal nalgum de seus rituais, e é bom nós irmos-nos acostumando a esse instrumentinho, pois algum dia, como tudo, por força, terá de ser galego.

http://www.vieiros.com/opinions/opinion/462/galicia-versus-galiza

A ideologia debaixo da língua

Há poucos dias, a intervençom da ministra espanhola da Igualdade, utilizando numha comissom parlamentar, segundo depois explicou, por lapsus linguae, a forma ‘membra’ como feminino de ‘membro’, provocou a reacçom imediata e unánime da masculinidade ferida polo que nalgum meio chegárom a qualificar de ‘maltrato ao idioma’.

Nem simpatizo com o PSOE, nem me preocupa especialmente a saúde do espanhol, mas sim me parece digna de comentário essa reacçom quase unánime, que juntou no mesmo coro de agravados algum deputado do PSOE como Alfonso Guerra, jornalistas como Pedro J. Ramírez e académicos ‘de la lengua’ como Gregorio Salvador.

O primeiro –Alfonso Guerra– pediu que se deixasse “viver sozinha” a língua espanhola, evitando impor critérios elitistas à sociedade. Curiosa pretensom dirigida à língua que detém a oficialidade obrigatória em todo o Estado, contando com um potente aparelho institucional como sustento, e que goza de muitos milhons de euros anuais dedicados à promoçom internacional através, por exemplo, do Instituto Cervantes.

Por seu turno, Gregorio Salvador, filólogo e membro da Real Academia Española (RAE), mais partidário do ‘intervencionismo’ em matéria lingüística, aproveitou também a polémica para pedir, literalmente, que o governo espanhol se deixe de “brincadeiras de mau gosto, e se ocupe de resolver problemas de desiguladade preocupantes que há em Espanha, como as dificuldades que tenhem os pais em algumhas comunidades para que os filhos estudem castelhano”.

E quanto ao presidente do jornal conservador El Mundo, Pedro J. Ramírez, praticou o velho recurso da reduçom ao absurdo, na tertúlia radiofónica em que participa, mostrando umha grande sensibilidade com a integridade do idioma espanhol e ridicularizando as pretensons igualitárias em matéria de usos lingüísticos.

Contra as idealistas pretensons de quem defende qualquer língua como essência alheia ao meio social que lhe dá vida, já nos anos vinte do século XX, um lingüista marxista da Rússia soviética formulou um princípio incontornável na análise objectiva da realidade social das línguas: o signo lingüístico é, por definiçom, ideológico.

Com efeito, Mikhail Bakhtin, um dos grandes da ciência lingüística do passado século, descreveu como qualquer formulaçom lingüística, desde que constitui umha representaçom da realidade e nom a realidade mesma, supom por definiçom umha projecçom influída por quem cria o discurso e polas condiçons em que se produz. Anteriormente, alguns antropólogos decimonónicos defenderam o contrário: que eram as línguas que determinavam as culturas, o pensamento e a visom do mundo das pessoas e dos povos.

Hoje sabemos que as línguas som, com efeito, produtos sociais, materializaçons do pensamento e das ideias confrontadas no palco social da comunicaçom, submetidas portanto ao filtro ideológico e aos valores dominantes de cada comunidade lingüística: ao contrário do que afirma o referido deputado jacobino do PSOE, as línguas nom podem “viver sozinhas”, porque dependem das pessoas, dos grupos e das formaçons sociais que as recriam continuamente, inclusive em ámbitos em que nom existe conflito lingüístico como o que corresponde à sociedade em que vive Alfonso Guerra.

Os que, como ele, como Gregorio Salvador ou como Pedro J. Ramírez, clamam em defesa das tábuas da lei da gramaticalidade, como se essas nom fossem também produto de umha concepçom social concreta, abrigam umha concepçom classista e sexista própria das elites que vetárom, em nome da ‘ordem natural das cousas’, o acesso das mulheres ao sufrágio. As mesmas ideias que ainda servem para vetar, por exemplo, a integraçom da populaçom cigana nos bairros das cidades galegas.

Nom sei se no futuro o espanhol, o catalám ou o galego-português irám habilitar, concretamente, um feminino da forma ‘membro’, certamente anti-etimológica e percebida como malsoante, critério estético e como tal mais subjectivo do que objectivo. Sei é que outras formas também contrárias às leis da lingüística assepticamente machista fôrom já habilitadas com sucesso, violentando os bons costumes académicos e o machismo oculto sob a pele do gramático. Ou como se explica, entom, a correcçom actual de substantivos como ‘presidenta’ e ‘juíza’, entre outros muitos até há poucos anos excluídos dos padrons de qualquer das línguas referidas, com base em critérios gramaticalistas?

As línguas som património exclusivo das sociedades humanas e nom entes alheios ou com vida própria para além de aquilo que os grupos sociais determinarem em cada altura histórica. Sendo tam necessário banir as flagrantes discriminaçons de que som alvo diferentes colectivos sociais por razom de sexo, de raça, de classe ou de procedência, as línguas nom podem ficar à margem desse combate pola igualdade e pola justiça, em nome de reaccionários purismos académicos. E, ainda menos, servir de álibi para quem só quer perpetuar as dominaçons subjacentes a cada uso lingüístico discriminatório.

http://www.vieiros.com/opinions/opinion/460/a-ideologia-debaixo-da-lingua

Maurício Castro

domingo, 15 de junho de 2008

O Economista nacional

“O problema da Autonomía de Galicia non é somentes un problema de diñidade colectiva, de dereito natural, de reivindicación histórica. Non. É fundamentalmente un problema de comenencia económica. A Autonomía non ficará imprantada por unha lei, nin sequer por unha votación. De verdade quedará indesarraigábel polos feitos, cando as xentes se convenzan por si mesmas de que os seus cartiños sirven pró desenrolo práitico da Nación. Progreso efeitivo, visíbel, palpábel...”

Alexandre Bóveda (Ourense 1903 - Pontevedra 1936)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

A fícticia vida

Estou a andar por un caminho que me leva ao paradiso, isso chamado felicidade e que é tam difícil acadar. O caminho é recto, sem curvas, adapta-se a minha forma de ser. Caminho tranquilo, sem preocupaçons, porque avisto ao final a meta assinalada. Só tenho que andar um chisco mais e serei a pessoa mais feliz do mundo. A ficçom feita realidade, o que a gente tenta encontrar durante toda a vida eu tenho-o na ponta dos dedos, está aí, posso senti-lo, está-me a cubrir o corpo, noto essa energia positiva a invadir o meu ser.

Merda! O espertador. Volto a realidade, a vida que me oferecia o caminho era só um sonho, um simples sonho.

Por que o formoso é sempre produto da imaginaçom? Alguem tem a resposta?

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Saca o champagne que se inaugura blogue

Depois de inaugurar dous blogues monotemáticos sobre o Bairro de Vite, já ia sendo horas de inaugurar um próprio.


Neste espaço darei a minha opinião sobre questons que me interessem e escreverei sobre o que me apeteça. Nom pretendo que gostedes, só que me visitedes e que deades o vosso parecer sobre as cousas pubricadas.

Pois isso, que ficades convidados a Santo2000. Aguardo-vos.

P.D: Desculpai as gralhas que possa ter. Pouco a pouco irei melhorando.