segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ensinar bem a nossa língua

Por José Paz Rodrigues

Num recente estudo de pesquisa sobre a problemática do ensino do nosso idioma, dirigido por Benito Silva do ICE da universidade compostelana, a conclusom mais importante que se tirou foi a baixa preparaçom didáctica dos ensinantes de língua galega de todos os níveis, o que, junto com outros problemas que padece desde há tempo a língua galega (descida alarmante de utentes, normativa artificial e artificiosa, infravaloraçom e complexos de galegos e galegas, excessiva politilizaçom do tema...), está a repercutir negativamente no desenvolvimento de uma língua internacional como a nossa, em território espanhol.

Por isto vem muito bem a iniciativa da AGAL (Associaçom Galega da Língua), organizando as “Jornadas de Didáctica da Língua Galega”, das que este ano tivo lugar a segunda ediçom no Liceu de Ourense. Por meio de colóquios, tertúlias, forum-cinema e mesas redondas, durante uma semana, tiraram-se importantes conclusões para a melhora do ensino da língua na nossa comunidade, oficial em oito países lusófonos dos cinco continentes.

Mas, a primeira conclusom básica é que necessitamos docentes com valores de bondade e alegria, que amem esta língua, que respeitem os seus alunos, que convençam sem impor e que tenham habilidades humanas, sociais e didácticas para desenvolver as suas aulas de maneira acertada. Para lograr que crianças, adolescentes e jovens apreciem a sua língua e a utilizem sem complexos em todos os contextos. Sem despreciar outras línguas, porque todas som importantes e apreciáveis.

Entre as propostas didácticas que nós fazemos para ensinar bem a nossa língua, estám as seguintes:

1. O melhor livro é a vida e o contorno, por isto devemos utilizar a natureza e o meio social e natural, as pessoas, os animais, as plantas, as árvores, as flores, os rios, o mar, a história local, a etnografia, os montes, os monumentos. Freinet na sua escola tinha isto muito claro. E também o nosso Otero Pedraio.

2. Temos que basear-nos sempre na afectividade e nos sentimentos:
Partir sempre dos interesses e preferências dos estudantes, dos seus gostos. Ter em conta a auto-estima, as atitudes e a valorizaçom da própria língua. Só se pode ensinar o que se ama, como muito bem sinalava Tagore.

3. Fomentar sempre a criatividade e as capacidades expressivas dos estudantes Ter em conta em todo o momento a participaçom dos estudantes e o seu trabalho individual e colectivo, levando a cabo, por exemplo, trabalhos de pesquisa em equipa sobre temas da nossa cultura e de todo o que a Nossa Terra oferece nos diferentes âmbitos.

4. Utilizar sempre técnicas lúdicas, vivas e dinâmicas: Dar importância às actividades artísticas variadas, aos jogos, à música e cantares, aos trabalhos manuais, ao teatro e aos monicreques...

5. Preferência Curricular para a Cultura Popular: Escapar do gramaticalismo, tam aborrecível e tam anti-motivador. Utilizar a literatura popular tam rica que temos. As adivinhas, ditos, refrães, poemas, lengalengas, recolheitas, os jogos populares e tradicionais (e ademais praticá-los), o ciclo anual das festas populares, a música popular, aprendendo a cantar as nossas formosas cantigas tradicionais, as artes e o artesanato, etc.

6. As actividades a desenvolver preferentemente, devem ser: o jornal escolar, as revistas e revistas orais, o teatro em todas as variedades (lido, monicreques, dramatizações...), os encontros lúdicos, o forum-cinema, as audições musicais de cantigas e poesias, os concursos e certames, as trocas escolares, as exposições e mostras, a elaboraçom de livros de bordo no computador, a banda desenhada, os obradoiros variados, a animaçom à leitura lúdica e criativa, os conta-contos, a filatelia, a correspondência inter-escolar, as monografias com rodízios de imagens, os recursos humanos da localidade (escritores, artistas, científicos, historiadores, etc).

7. Os Recursos Didácticos preferentes a utilizar seriam: De tipo impresso, os jornais galegos e os seus suplementos, os livros variados, as revistas e os folhetos e unidades didácticas. De tipo audiovisual, os CDs, DVDs, a rádio e os seus programas, os filmes galego-lusófonos. De tipo manipulativo, os jogos e os brinquedos, e a Internete, sabendo escolher o que mereça a pena. Os recursos humanos da localidade, muito importantes como sinalamos antes, e que podem acercar-se aos centros de ensino para dar charlas aos alunos e transmitir-lhes os seus saberes. Os recursos elaborados, como enredos e jogos tradicionais, filmagem de documentários e tiragem de fotografias. Por último, aqueles fornecidos, levados da casa dos alunos e docentes, do meio e do contorno, bibliotecas, museus, centros culturais...

Claro que para isto necessitaríamos mudar muitas cousas nas nossas escolas e centros de secundária, fazer um ensino muito mais flexível e criativo, dar importância ao que a tem e valorizar os docentes. A inovaçom que hoje nom temos na Galiza nem por sombras é uma tarefa muito urgente na Nossa Terra. Infelizmente pode ainda demorar. Porque há que mudar já os administradores da educaçom e a mente de muitos directivos e docentes. A tarefa é de gigantes e de pessoas com paciência e dignidade.

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(*) José Paz é professor numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense.

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domingo, 21 de setembro de 2008

Antónia Luna, professora de galego em Buenos Aires

"Eu nom o verei, mas o reintegracionismo vai prender"

Fundadora de Amigos do Idioma Galego e mestra de galego integrado na Argentina, Antónia Luna (85 anos) visita estes dias Noia, a vila de seus pais.

Antónia é galega mália nom nascer aqui. Fijo-o em 1923 em Buenos Aires, onde reside hoje e onde exerce de embaixadora da nossa cultura. Filha do presidente fundador da Sociedade dos Filhos do Partido Judicial de Noia em Buenos Aires, o seu achegamento a todo o que tivesse o galego como definiçom foi um jeito de evoluçom natural. De nena já recitava poemas de Rosalia ou Cabanillas, e quase que aprendeu a ler coa única página galega que os domingos incorporava o jornal "Correo de Galicia". Estes forom os seus primeiros contactos coa nossa língua, um idioma que, por certo, nom empregavam os seus pais acotio, empuxados por um contexto laboral eminentemente formado por argentinos e italianos: "o meu pai era sapateiro e nom empregava o galego porque nom tivo a oportunidade, emigrou com oito anos e já nom tinha ninguém com quem falá-lo", relata Antónia.

Àquelas forom as origens, mas os vencelhos de Antónia Luna coa nossa língua estreitarom-se com o passo dos anos: hai agora 31 inscreveu-se no seu primeiro curso no Centro Galego de Buenos Aires, lugar onde conheceria ao seu mestre, entom e agora, Higino Martins Estêvez. El introduciu-na no interesse polo galego integrado, já que o outro, para Antónia, nom é máis que "castrapo, um galego arruinado". Desde entom até hoje, o trabalho pola língua que exerce esta mulher na Argentina nom encontrou freio. De aluna passou a mestra e hoje colabora na Federación de Sociedades Galegas no ensino do galego. Tenhem uns 50 alunos, interessados todos eles no conhecemento do galego "nom deturpado polos hispanofalantes", se bem os mais topam dificuldades e lamentam que esse "nom seja o galego que falavam os seus avós". Neste caminho, Antónia mesmo viveu a expulsom do Centro Galego de Buenos Aires a onde "nos proibírom a entrada porque eramos reintegracionistas, nom queriam essa história porque já iam mestres desde Galiza pagados pola Administraçom para ensinar o galego da Junta (...) foi umha decisom tomada por questões políticas".

O galego e o lunfardo

Pero as achegas de Antónia ao estudo da nossa cultura nom terminárom aí. Fundadora de Amigos do Idioma Galego, no seu interesse em profundar na nossa lingua participou em diferentes congressos. Num deles recompilou o trabalho levado a cabo por professores de galego em Buenos Aires. Noutro, aproximou-se a unha questom bem desconhecida: fijo umha recolheita dumhas 80 palavras procedentes do galego–português que ficárom na língua lunfarda (argot de origem popular que hoje ainda se fala no Rio da Prata). Termos como gaiola (por cárcere) ou tamanco (por sapato ou zanco) entre outras de origem galega empregam-se ainda hoje em contextos menos cultos desta regiom argentina.

Expectativas para o futuro

Antónia vem agora de passar uns dias em Noia onde a sua família. De aqui também levou terra galega, da horta da sua nai (da Barquinha) e da do seu pai (de Albariça), umha terra que hoje preside a sua casa bonaerense e que lhe recorda aos parentes, a Noia e a Galiza, um país do que lhe custa muito ir-se. Aqui regressa cada três anos e hoje asegura que é mais optimista com o futuro da nossa lingua: "a partir do ano 1976 eu percebo muita mais gente falando galego, hoje fala-o toda a gente nova". Em quanto ao futuro do reintegracionismo, Antónia também asegura estar esperançada: "eu sinto que hai muito interesse, na Argentina falamo-lo, isso si, como sabemos (...) penso que acá se está luitando mui a sério, lá os que luitamos somos nós".

Para ler a nova em versom original premede aqui. Ademais, contem um vídeo coa protagonista desta história. Também a podedes ver no PGL.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O Perdom

A Liberdade, a Confiança, a Lealdade, a Fidelidade, a Sabiduria... Todas estas palavras tenhem nome de mulher, deve ser por isso que hai homes que nom as sabemos usar e quando o fazemos, fazemo-lo mal e temos de pedir Perdom (esta com nome de home, por que será?).

O género masculino somos o pior que lhe pudo passar à espécie humana, nom sabemos tratar nada bem às Gerdas Lerner, às Alexandras Kollontai ou às Venus que temos ao nosso carom, já sejam as nossas amigas ou a nossa parelha. Ainda nom somos capaces de vê-las como o que som, persoas.

Por isso, pido perdom a todas àquelas mulheres que se sentirom ofendidas por algum comentário que figem ou por algum facto do que nom gostarom. Para algumhas pode que seja tarde e para outras, o médio pode que nom seja o melhor. Ainda assi, recebede este perdom com total sinceridade.

Texto tirado de aqui

domingo, 14 de setembro de 2008

O juízo final

Com o amencer do preto dia, espertam os mortos. O aturujo com o que se erguem escuita-se em tudo o lugar, a gente atemorizada nom ousa sair da casa por medo a que lhes ocorra algo, o qeu nom sabem é que isso nom vale para nada...


Umha nova era está a piques de começar.

Texto tirado de aqui

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A cegueira da cidade

Sopra o vento na cidade mentres vampiros atormentados pousam o seu preto sangue ao pé duns leitos ocupados durante muitas noites por estranhos vermes vindos coa terra sagrada do cemitério. O chorar dum pícaro mestura-se com o ruído das folhas que caem do Outono acabado de começar. Ninguém se decata, tod@s seguem ao seu...

É 23 de fevereiro de 2088.

Texto tirado de aqui

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Dous, nom sempre é igual a um mais um

Ela + ela = 2

Ele + ele = 2

Ela + ele = 2

Ele + ela = 2

Ela + ti = 2

Ti + ela = 2

Ele + ti = 2

Ti + ele = 2

Eu + ti = 12 + 1