domingo, 21 de setembro de 2008

Antónia Luna, professora de galego em Buenos Aires

"Eu nom o verei, mas o reintegracionismo vai prender"

Fundadora de Amigos do Idioma Galego e mestra de galego integrado na Argentina, Antónia Luna (85 anos) visita estes dias Noia, a vila de seus pais.

Antónia é galega mália nom nascer aqui. Fijo-o em 1923 em Buenos Aires, onde reside hoje e onde exerce de embaixadora da nossa cultura. Filha do presidente fundador da Sociedade dos Filhos do Partido Judicial de Noia em Buenos Aires, o seu achegamento a todo o que tivesse o galego como definiçom foi um jeito de evoluçom natural. De nena já recitava poemas de Rosalia ou Cabanillas, e quase que aprendeu a ler coa única página galega que os domingos incorporava o jornal "Correo de Galicia". Estes forom os seus primeiros contactos coa nossa língua, um idioma que, por certo, nom empregavam os seus pais acotio, empuxados por um contexto laboral eminentemente formado por argentinos e italianos: "o meu pai era sapateiro e nom empregava o galego porque nom tivo a oportunidade, emigrou com oito anos e já nom tinha ninguém com quem falá-lo", relata Antónia.

Àquelas forom as origens, mas os vencelhos de Antónia Luna coa nossa língua estreitarom-se com o passo dos anos: hai agora 31 inscreveu-se no seu primeiro curso no Centro Galego de Buenos Aires, lugar onde conheceria ao seu mestre, entom e agora, Higino Martins Estêvez. El introduciu-na no interesse polo galego integrado, já que o outro, para Antónia, nom é máis que "castrapo, um galego arruinado". Desde entom até hoje, o trabalho pola língua que exerce esta mulher na Argentina nom encontrou freio. De aluna passou a mestra e hoje colabora na Federación de Sociedades Galegas no ensino do galego. Tenhem uns 50 alunos, interessados todos eles no conhecemento do galego "nom deturpado polos hispanofalantes", se bem os mais topam dificuldades e lamentam que esse "nom seja o galego que falavam os seus avós". Neste caminho, Antónia mesmo viveu a expulsom do Centro Galego de Buenos Aires a onde "nos proibírom a entrada porque eramos reintegracionistas, nom queriam essa história porque já iam mestres desde Galiza pagados pola Administraçom para ensinar o galego da Junta (...) foi umha decisom tomada por questões políticas".

O galego e o lunfardo

Pero as achegas de Antónia ao estudo da nossa cultura nom terminárom aí. Fundadora de Amigos do Idioma Galego, no seu interesse em profundar na nossa lingua participou em diferentes congressos. Num deles recompilou o trabalho levado a cabo por professores de galego em Buenos Aires. Noutro, aproximou-se a unha questom bem desconhecida: fijo umha recolheita dumhas 80 palavras procedentes do galego–português que ficárom na língua lunfarda (argot de origem popular que hoje ainda se fala no Rio da Prata). Termos como gaiola (por cárcere) ou tamanco (por sapato ou zanco) entre outras de origem galega empregam-se ainda hoje em contextos menos cultos desta regiom argentina.

Expectativas para o futuro

Antónia vem agora de passar uns dias em Noia onde a sua família. De aqui também levou terra galega, da horta da sua nai (da Barquinha) e da do seu pai (de Albariça), umha terra que hoje preside a sua casa bonaerense e que lhe recorda aos parentes, a Noia e a Galiza, um país do que lhe custa muito ir-se. Aqui regressa cada três anos e hoje asegura que é mais optimista com o futuro da nossa lingua: "a partir do ano 1976 eu percebo muita mais gente falando galego, hoje fala-o toda a gente nova". Em quanto ao futuro do reintegracionismo, Antónia também asegura estar esperançada: "eu sinto que hai muito interesse, na Argentina falamo-lo, isso si, como sabemos (...) penso que acá se está luitando mui a sério, lá os que luitamos somos nós".

Para ler a nova em versom original premede aqui. Ademais, contem um vídeo coa protagonista desta história. Também a podedes ver no PGL.

2 pingas caídas nesta terra:

Manuel L. Rodrigues disse...

vaites; puxémonos dacordo coa entrada

O Garcia do Outeiro disse...

Isto é como a loita decimonónica pola jornada de oito horas, cousa de tempo e de conscienciaçom, mas tamém compre saber transmitir e acho que nom é bom sob nengum pretesto afirmar que o galego, em qualquer das suas variantes orais ou escritas, é um dialecto, em todo caso geolecto, pois isto redunda em velhos pré-juízos ainda vivos e operantes contra o galego-português da Galiza. Umha aperta irmandinha.