quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Amigos, non poss' eu negar


Amigos, non poss' eu negar
a gran coita que d' amor ey,
ca me vejo sandeu-andar,
e con sandece o direy:
os olhos verdes que eu vi
me fazen ora andar assi.

Pero quen quer x' entenderá
aquestes olhos quaes son,
e d' est' alguen se queyxará;
mays eu... ja quer moyra quer non:
os olhos verdes que eu vi
me fazen ora andar assi.

Pero non devia a perder
ome que ja o sen non á
de con sandece ren dizer,
e con sandece digu' eu ja:
os olhos verdes que eu vi
me fazen ora andar assi.

Johan Garcia de Guilhade

Esta cantiga é excepcional em vários sentidos: um, sendo umha cantiga de Amor nom encontramos a palavra 'senhor' que normalmente aparece nestas produções; dous, começa com umha evocaçom aos amigos, algo também estranho nestas composições; três, a mulher deixa de ser algo irreal para converter-se em umha mulher com os olhos verdes, traço polo que seria objecto de mofa o autor e polo que o chamariam alhos verdes, em fim, cousas da época. Como vedes, poderia seguir comentando esta cantiga, mas esses três traços concretos som os mais relevantes e fam que esta cantiga seja insólita.

2 pingas caídas nesta terra:

Manuel L. Rodrigues disse...

Fermosa cantiga (e ilustracción).

Non estaría de mais que a seguises comentando non.

Saudiños.

xeiteiro disse...

Nótanseche os efectos colaterais das aulas com a professora Isabel Morán, pillín. Obrigado por traer de novo esta fermosa cantiga.