A Nossa Língua é Internacional

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Escudo da Nova Galiza

O escudo que hoje preside este blogue foi desenhado por don Alfonso Daniel Manuel Rodríguez Castelao como símbolo da Nova Galiza que se estava a construir.

Velaquí as verbas do insigne galeguista a respeito da criaçom do escudo:

"O emblema comunista -fouce e martelo cruzados- que expresa a unión entre obreiros e campesiños, atrae a nosa atención, porque quixéramos dar cun símbolo igoalmente afortunado que representase a unión dos labregos e mariñeiros de Galiza". "Non nos queda máis remedio que a fouce de ouro sobor dun fondo azul e estrela vermella, como lemas do Traballo e da Liberdade (con maiúsculas). Ourelando o escudo, cumpriría deixar patente o martirio de Galiza". (Martirio de Galiza por ser vítima secular do centralismo-asimilista). Este é o significado de "Denantes mortos que escravos". "E a sirea -continua Castelao-, que perteñece á heráldica galega, como símbolo mariño que fale do engado atlántico, orixe das nosas aventuras".

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Viva Nero!!!!

Ontem houve um debate na televisom sobre se se deveria proibir ou nom as "festas" dos touros. So pudem ver uns cinco minutos porque nom aturava os argumentos que usavam os defensores destes eventos. Argumentos como: ninguém se regozija com o sofrimento do touro, que este nom sofre, som festejos que pertencem à tradiçom, som parte do atractivo turístico da Espanha, som algo típico... Se estes som os seus "raciocínios" chega com dizer: Viva Nero!!!

Necessitamos outro como el, alguém que volte fazer espectáculos com cristãos. Porque ninguém se regozijaria com o seu sofrimento (sobre tudo agora que estam tam pesados com a nom laicidade do Estado e com outras cousas), porque os cristãos nom sofrem (Se suportarom ter o poder durante a ditadura, porque iam sofrer agora?), porque pertence à tradiçom (tradiçom que vem desde o século I d.C.), porque seriam parte do atractivo turístico da Galiza (Já estou a ver os cartazes: Venham a Galiza, o lugar onde se podem desfazer dos cristãos e ademais passá-lo bem com eles.), e porque o fariamos algo típico de aqui (como as festas dos velhos, o polvo à feira, as empadas...).

Já sei que os meus argumentos som maus e nom convencem a ninguém, mas, nom credes que os argumentos dos defensores das "festas dos touros" som ainda piores?

domingo, 6 de julho de 2008

Fundaçom Artábria anuncia nova campanha a prol do Dia das Letras 2010 para Carvalho Calero

RAG elegeu hoje Ramón Pinheiro para o Dias das Letras 2009


PGL - A RAG elegeu hoje Ramón Pinheiro, o candidato pró-oficialista, como figura a homenagear no próximo Dia das Letras em 2009. Mais umha vez, as esperanças de todo o pessoal que tem trabalhado a prol do reconhecimento do Dia das Letras para Carvalho Calero batérom com a RAG e o roteiro marcado polo representante do "galeguismo difuso".

Mas a luita continua, da Fundaçom Artábria emitiram para já um comunicado através do qual anunciam que "desde hoje mesmo começa umha nova campanha para pedir que o ano 2010, em que se cumpre o 1º centenário do nascimento de Ricardo Carvalho Calero, seja o ano do professor ferrolano como figura reconhecida e homenageada".

A respeito de Ramón Piheiro, muitos sectores, além do próprio reintegracionismo, coincidem em classificar a sua figura como bem funesta para o galeguismo linguístico e político, nomeadamente na década de setenta e oitenta do século passado.

Comunicado da Fundaçom Artábria

Tendo conhecimento de que, mais umha vez, a Real Academia Galega voltou a rejeitar a proposta realizada pola nossa entidade, e apoiada por tantas outras associaçons, instituiçons, partidos, sindicatos, centros sociais, centros de ensino, etc, que durante o último ano reclamamos um reconhecimento institucional para um dos grandes do século XX galego, a Fundaçom Artábria anuncia que desde hoje mesmo começa umha nova campanha para pedir que o ano 2010, em que se cumpre o 1º centenário do nascimento de Ricardo Carvalho Calero.

Sabemos, porque está mais do que comprovado, que a chamada 'Galicia Oficial' nom gosta do que Carvalho Calero representa para a nossa cultura e para a nossa língua: umha dimensom internacional para umha Galiza em construçom como naçom soberana. Porém, também sabemos que torres maiores caírom e quer a oficialidade actual, quer a que venha, terám que acabar reconhecendo o valor da obra do intelectual ferrolano, galego e universal.

Agradecemos a todas entidades e pessoas que aderírom à campanha que agora damos por concluída, e esperamos contar com todas elas e com mais galegas e galegos para o próximo objectivo: Carvalho, Letras Galegas '10 !!!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Carvalho Letras Galegas'09

ADESONS INDIVIDUAIS

1.- Xabier Dourido Doval (Neda)
2.- Xosé Teixido Vidal (Narom)
3.- Carme Campo Martins (Porrinho)
4.- Bruno Lopes Teixeiro (Ferrol)
5.- Ramiro Vidal Alvarinho (Oleiros)
6.- Ernesto Lopes Dias (Ferrol)
7.- Aida Vasques Varela (Corunha)
8.- Íria Rodrigues Seixo (Fene)
9.- Maria Alvares Rei (Compostela)
10.- Esperanza Rocamonde Igrejas (Compostela)
11.- Maria Garcia Blanco (Lalim)
12.- Luis Iglesias Rodrigues (Lalim)
13.- Erea Estevez Campos (Corunha)
14.- Mª Xosé Abeijom (Corunha)
15.- Narciso Vasques Garcia (Corunha)
16.- Dolores Garcia Fernández (Pontedeume)
17.- Francisco Varela López (Ares)
18.- Xoán Iglesias (Pontedeume)
19.- Arturo Salorio (Pontedeume)
20.- Francisco Martins Rodrigues (Ferrol)
21.- Juan Aguiar (Neda)
22.- Fátima Pita Pérez (Fene)
23.- Manuel Diaz Armentia (Ferrol)
24.- Mercedes Ces Riobóo (Narom)
25.- Jaime Mosquera Moré (Neda)
26.- Paulo Rico Painceiras (Ferrol)
27.- André Pena Rodrigues (Ferrol)
28.- Eduardo Carpente (Pontedeume)
29.- Natividad Grandal Crespo (Narom)
30.- Monica Otero Beceiro (Ferrol)
31.- Estela Iglesias (Ferrol)
32.- Luis Suarez Ruiz (Ferrol)
33.- Luis Pena Mosquera (Viveiro)
34.- Carme López López (Viveiro)
35.- Alfredo Irixoa Neira (Corme)
36.- Rubén Sequeiro López (Ferrol)
37.- Saleta Cundis Fernández (Corunha)
38.- Carlos Garcia Seoane (Ferrol)
39.- Ernesto Espinha Calo (Cambre)
40.- Sofia Arrebola (Cambre)
41.- Fernando Martins Lopes (Narom)
42.- J. Luis Fernández Fernández (Lugo)
43.- Fermin Castro Fernández (Pontedeume)
44.- Oscar Vázquez Rivera (Pontedeume)
45.- Miguel Carpente (Pontedeume)
46.- Ana Vizoso (Pontedeume)
47.- Carmem Otero (Pontedeume)
48.- Monica Santiago (Narom)
49.- Montse Diaz (Narom)
50.- Rafa Odea (Vigo)
51.- Maria Cerdeiro (Arteixo)
52.- Raquel Hermeda (Sam Sadurninho)
53.- Elena Diaz (Neda)
54.- José Luis Cunha González (Ferrol)
55.- Xosé Riveiro (Sada)
56.- Irene Ruiz (Mugardos)
57.- Antón Castro Ferreiro (Pontedeume)
58.- Rosalia Cortizas Leira (Ferrol)
59.- Oscar Fojo Lamas (Ferrol)
60.- José Sanmartim Bouça (Fene)
61.- Miguel Anxo González Garcia (Ferrol)
62.- Mª Isabel Sanles Bacelo (Ferrol)
63.- José Maria Rodriguez Aneiros (Ferrol)
64.- Cristina Corral Campelo (Ferrol)
65.- Cristina Amor Faya (Ordes)
66.- Silvia Amor Faya (Ordes)
67.- Antóm Fortuna Rodriguez (Ferrol)
68.- José Dias Cadaveira (Compostela)
69.- Eliseo Zaera Rios (Ferrol)
70.- Alexandre Carrodeguas Martin (Valdovinho)
71.- Mónica García Pérez (Compostela)
72.- Luz Torrente López (Mugardos)
73.- Xende Lopes Teixeiro (Ferrol)
74.- Carlos Xabier Martinez Louro (Ferrol)
75.- Luis Losada Barros (Ferrol)
76.- Chema Fernández Alonso (Ferrol)
77.- Xosé Luis González Sende (Compostela)
78.- Miguel Garcia (Lira)
79.- Xosé Penabade González (Compostela)
80.- Aurora Rivas Hernández (Ferrol)
81.- Mª Xosé Doce Rey (Ferrol)
82.- Comba Campoy Garcia (Compostela)
83.- Xacobo Castro Torres (Compostela)
84.- Yolanda Diaz (Ferrol)
85.- Andrés Meizoso (Ferrol)
86.- Antonio Romanis (Compostela)
87.- Carlos González Meixide (Corunha)
88.- Carlos Morais Álvares (Compostela)
89.- Oscar Peres Vidal (Narom)
90.- Manuel Pérez Vidal (Narom)
91.- Eva Quintela Fernández (Narom)
92.- Avelino Calvo Romero (Narom)
93.- Cristina Martinez Padin (Narom)
94.- Rocio Doce Teijeiro (Narom)
95.- Alexandre Lois Romero Maseda (Minho)
96.- Álvaro Lamas Banhos (Vigo)
97.- Noa Rios Bergantinhos (Ponte Vedra)
98.- Igor Lugris (Ponferrada)
99.- Jesús Calvo Pita (As Pontes)
100.- Cristina Meizoso Alonso (Ferrol)
101.- Marga Blasco Fernandes (Vigo)
102.- David Filgueiras Cabaleiro (Corunha)
103.- Leandro Lamas Ermida (Neda)
104.- Xosé Tubio Rodríguez (Cambre)
105.- Lucía Rodríguez Cao (Cambre)
106.- Marcos Sebastián Pérez Pena (Neda)
107.- Antonia Teijeiro Losada (Ferrol)
108.- Maurício Castro Lopes (Ferrol)
109.- Maria J. Diaz Pinheiro (Lugo)
110.- Maria Ósorio López (Compostela)
111.- Lucía Leiros Comesaña (Vigo)
112.- Marcelo Rodríguez Acosta (Porrinho)
113.- João Fontenla Figueroa (Lugo)
114.- Vítor Andrade Vasques (Corunha)
115.- Javier López (Barcelona)
116.- José Ramao Garcia Carvalheira (Corunha)
117.- Xosé Constenla Vega (Compostela)
118.- Afonso Mendes Souto (Corunha)
119.- Maria Gomez Diaz (Lugo)
120.- Brais Santomil Cao (Compostela)
121.- Diego Bernal Rico (Corunha)
122.- Joám Peres Lourenço (Compostela)
123.- Roberto Rodriguez Fialmega (Vigo)
124.- Aarom Lopez Rivas (Compostela)
125.- Carlos Barros Gonçalves (Compostela)
126.- Zélia Garcia Parra (Vigo)
127.- Roi Ribeira Becerra (Compostela)
128.- Jéssica Vilas Martinez (Bertamiráns)
129.- Iris Carro González (Bertamiráns)
130.- Miguel Quintáns López (Compostela)
131.- Rubén Melide Romai (Amés)
132.- Adrián Mosquera Pazos (Bertamiráns)
133.- Francisco Pérez Dieguez (Verim)
134.- Dolores Pérez González (Verim)
135.- Xosé Garia López (Padrom)
136.- Joxemari Etxaniz Zorrilla (Compostela)
137.- Santiago Rouco Santos (Compostela)
138.- Miguel Monteagudo Frangueira (Compostela)
139.- Fernando López López (Compostela)
140.- Marta Ramos López (Lugo)
141.- Rosana Valle Yañez(Burela)
142.- César Campos Carvalhude (Compostela)
143.- Manuel Amor Couto (Compostela)
144.- M. Felisa Rodríguez Prado (Compostela)
145.- Carlos González Figueiras (Compostela)
146.- Carmen Villarino Pardo (Compostela)
147.- Carlos Quiroga (Compostela)
148.- Xavier Rodríguez Somoza (Corunha)
149.- Iago Montes Martínez (Ferrol)
150.- André Cerdido Pastor (Ferrol)
151.- Roberto Bouça Orosa (Burela)
152.- Vítor Manuel Lourenço Peres (Ourense)
153.- Manuel Pinheiro Gonzales (Cangas)
154.- Paula Pereira Carreiro (Ponte Vedra)
155.- Manuel Sánchez Díaz (Mos)
156.- Carlos Calvo Varela (Ordes)
157.- Diego Pérez Cordeiro (Moanha)
158.- Santiago Balea Durán (Ponte Vedra)
159.- Gonzalo Corral Hernández (Ponte Vedra)
160.- Antia Marinho Ribadulha (Ponte Vedra)
161.- Andrés Argibay Montes (Ponte Vedra)
162.- Javier Baladrón Pazos (Ponte Vedra)
163.- Jorge Outeiro (Ponte Vedra)
164.- Laura Quintillán (Ponte Vedra)
165.- Odin Suarez Perez (A Lama)
166.- Ivan Varela (Redondela)
167.- Rafael Maqueira Calza (Ponte Vedra)
168.- Anjo Torres Cortiço (Bueu)
169.- Noa Rios Bergantinhos (Ponte Vedra)
170.- Henrique Torres Fernández (Ponte Vedra)
171.- Aarón Silva Sanchez (Ponte Vedra)
172.- Hector Fernández Gandara (Ponte Vedra)
173.- Alfonso Diaz Andrés (Ponte Vedra)
174.- Víctor Vieitez Vidal (Ponte Vedra)
175.- Borja González Castro (Ponte Vedra)
176.- Jorge Outeiro (Ponte Vedra)
177.- David Rodríguez Alonso (Poio)
178.- Fernando Alba Pérez (Combarro)
179.- Adriám Argivai Pedrosa (POnte Vedra)
180.- Ignácio Martinez Martinez (Ponte Vedra)
181.- Alexandre Rios Bergantinhos (Ponte Vedra)
182.- José Miguel Pérez Blecua (Moanha)
183.- Jorge Pérez Blecua (Moanha)
184.- Alejandro Barreiro Pérez (Ponte Vedra)
185.- Sofia Quiñonero Linde (Madrid)
186.- Xaime Cortázar (Ponte Vedra)
187.- Roberto Pérez (Ponte Vedra)
188.- Laura Arjonilla (Corunha)
189.- Diego Santório (Vigo)
190.- Antón Álvarez Sanz (Oleiros)
191.- Eduardo Lorente Andrade (Compostela)
192.- Cilha Lourenço Módia (Corunha)
193.- Alva Martínez Teixeiro (Corunha)
194.- María Luísa Moreda Leirado (Lugo)
195.- Xoán Luís López Viñas (Corunha)
196.- Leticia Eirín García (Corunha)
197.- Carme Fernández Pérez-Sanjulián (Corunha)
198.- Ofelia Río González (Burela)
199.- Águeda María Fernández Villares (Lugo)
200.- Bernal Vilela López(Corunha)
201.- Moisés Castro López (Corunha)
202.- Ana Martins Fernández (Corunha)
203.- Manuel Lourenzo Pérez (Corunha)
204.- Montserrat Modia Olalla (Corunha)
205.- Brandán Lourenzo Modia (Corunha)

Estas som as adesons individuais da campanha feita pola Fundaçom Artábria para que lhe dedicassem o Dia das Letras Galegas 2009 a D.Ricardo Carvalho Calero. Já nom é possível, porque o próximo ano o dia das nossas letras estará dedicado a Ramón Piñeiro. Ainda assi, adire-te a esta campanha para que a R.A.G. se entere da quantidade de gente que está a favor de um Dia das Letras Galegas para D.Ricardo. Para isso, tés de premer aqui e encaminhar um correio com nome e apelidos, bilhete de identidade e localidade. Os dados enviados nom aparecem no momento na listagem de adesons, tés de aguardar muito tempo, mas ao final aparecem.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Vídeo da conferência central do encontro Somando Esforços pola Língua

PGL - No dia 16 de Fevereiro de 2008, o Verbum - Museu das Palavras (Vigo - Galiza), foi palco das jornadas Somando Esforços pola Língua, organizadas pola AGAL. Na sequência dessas jornadas, o professor da EOI de Compostela, Eduardo Sanches Maragoto, deu uma interessante conferência subordinada ao título "Modelo linguístico normalizador e alternativas de sucesso", cujo vídeo damos a conhecer agora.

A palestra do professor Maragoto estivo virada para o modelo de língua, o modelo de correcçom, a própria correcçom lingüística no uso do galego, a dialectizaçom do galego com respeito ao castelhano e, novamente, a utilidade do reintegracionismo nestes aspectos. Muito esclarecedores fôrom os exemplos audiovisiuais analisados, como o modelo de galego utilizado no bem sucedido documentário Línguas Cruzadas.

sábado, 28 de junho de 2008

Precisamos ideias

Já ficou atrás segundo (ainda que haja de aguardar polas qualificaçons, e ir a Setembro). Agora toca pensar em terceiro, nom nas matérias que imos ter, senom no Passo de Equador.

O destino será, se ninguém o impede, o Brasil. Mas, temos de pensar como juntar o dinheiro que nos fai falta para ir lá.

De estardes inspirados e ter algumha ideia,
agradecer-vos-emos que no-las dixérades.

Muito obrigado

terça-feira, 24 de junho de 2008

A história oculta

O que se transcreve a continuaçom é umha página do diário de um senhor falecido no dia de hoje. Nom se sabe se o motivo da sua morte foi a sua avançada idade ou a notícia do falecimento da mulher da que fala na seguinte história.

Martes, 24 de Junho de 2008.

Enterei-me hai pouco do falecimento da mulher á que eu mais amei na minha já longa vida. Guardei durante muito tempo este segredo e creio que já é hora de desvelá-lo. Nom aturo mais este tormento que me consome por dentro. Estivem com muitas mulheres, casei três vezes e divorciei-me outras tantas. Nunca me saiu bem umha relaçom estável, por que nunca pudem esquecer àquele amor que me marcou por sempre.

Tenho oitenta e dous anos e vejo rente à morte, mas nom quero que me enterrem com isto dentro minha. Por isso hoje, com os últimos folgos, vou-vos contar a história daquele amor.

Tínhamos catorze anos. Íamos no mesmo liceu, no mesmo curso, ainda que em aulas separadas. Eu nunca me fixara nela, porque pertencíamos a distintas pandilhas. Pouco a pouco, e por diversos motivos, fomo-nos conhecendo. Nom tardei em dar-me conta do que tinha diante minha, umha mulher formosíssima e inteligente, mas fora do meu alcance.

Os pontos em comum, entre ambos, eram (e seguem sendo) mui poucos. Provocava-a com insultos para que me fizesse caso, mas isso nom conduzia a nengumha parte.

O tempo foi passando e chegou a hora de separarmo-nos. Deixava-mos atrás o liceu e começávamos a universidade. Àqueles dia a dia de insultos e de idas e vindas a sua aula ver se estava, mirá-la e depois marchar, acabaram. Escolheria a sua carreira e nom a voltaria ver nunca mais.

Agora, com os anos passados, sou consciente de que o nosso nom ia ir adiante. Sei que nunca lhe caim bem e ademais, as nossas diferenças som muito grandes: ela é eléctrica, eu sou mais tranquilo. Ela podia botar semanas sem ir a alguma que outra aula, eu ia a todas. Se a deixavam, ia toda a semana de festa, a mim, a minha vagaria impedia-mo. Do meu humor escarninho, às vezes mui cruel, ela nom gostava...

Esta é a história que vos queria contar. Por fim, depois de muitos anos podo botar fora todo isto. Se nom o fixem antes foi por vergonha, mas agora que ela morreu e que a mim pouco me falta, nom me importa nada.

Se existir outro mundo, lá nos vemos.

Descansa em paz, meu amor.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Quixera...

Quixera fazer poemas coma nada.
Grafar os versos mais formosos do mundo
com só pousar a pluma na folha branca.
Ó grandes bardos! Vós sabeis do que falo.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Elias J. Torres Feijó: «Para que nos serve umha cultura? Sistemas e planificaçom cultural na Galiza»

«Devemos evitar o confronto social-civil para conseguir maior adesom ao carácter vertebrador da língua»

A Esmorga / MDL / PGL - «As comunidades precisam de elementos culturais para funcionar sobre a base da sua coesão social. Nos seus processos e por diferentes mecanismos vão seleccionando aqueles em que se reconhecem com maior facilidade, aceitando ou resistindo propostas, imposições, etc.», assim podemos apresentar a interessante conferência que, subordinada ao título «Para que nos serve umha cultura?: Sistema e planificaçom cultural na Galiza», pronunciará o professor Elias J. Torres Feijó nesta quarta-feira, dia 16 de Abril, no quadro das I Jornadas de Língua em Ourense. Um acto a nom perder que está marcado para as 19h30 na sala 04 do Edifício de Ferro do cámpus universitário da cidade das Burgas.

O vice-reitor da Universidade de Compostela, bem como vice-presidente da Associação Internacional de Lusitanistas, debruçará sobre algumas dessas propostas, imposições, etc. que acabam mesmo por ser interpretadas como inerentes ("essenciais") à (não 'da') comunidade por parte de algumas elites ou grupos.

Segundo Torres Feijó, isto pode empecer as tomadas de decisão para a continuidade da comunidade e a sua coesão e pôr em risco o próprio objectivo que se persegue, ao perder de vista o carácter instrumental desses elementos, fixar uma hierarquia que não se corresponde com os valores e desejos da comunidade ou apresentá-la de modo insatisfatório para um conjunto importante da mesma. «Galiza está numa tessitura destas características. A Galiza actual está numa tessitura importante e está decidindo».

— Para que serve à nossa cidadania a língua galega e a cultura gerada em torno dela?

Para o que ela quiger. Nestes momentos, em termos positivos e para umha maioria ampla, para ter um referente colectivo coesionador simbólico e de vário tipo, lesado pola continuada polémica em torno ao uso público (e, em parte, privado) da mesma; nesse sentido mais minada que outros referentes.

— Que seria preciso para elevar a escassa valorizaçom que regista hoje?

Aumentar a sua utilidade, fazendo a maior parte da cidadania partícipe e responsável do seu mantimento e progresso, desde qualquer posiçom, mesmo do 'nom uso', evitando o confronto social-civil para conseguir maior adesom ao seu carácter vertebrador.

— Que achas em falta tacticamente no movimento nacional galego no que diz respeito da língua e da cultura?

Já responder de modo breve às outras perguntas é custoso; esta mais, ainda que julgo fica respondida na pergunta anterior. Renovo a ideia de tentar evitar a confrontaçom privada e cívica e de reexaminar os objectivos que queremos cumprir e como, fugindo do essencialismo e tentando progredir na adesom social. Julgo que rebaixar a tensom criará mais aderentes ao processo.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Galicia versus Galiza

Num artigo anterior a este falava eu de como tudo que é galego tem necessariamente que ser espanhol; agora venho de dar um passo mais à frente na minha hipótese, e logo de ter feito umas observações que vou partilhar aqui, afirmo que a relação espanhol-galego é muito mais complexa do que eu tinha antecipado e que hoje posso afirmar que... “tudo o que é espanhol é, ou é susceptível de ser, galego” .

Já o afirmava a famosa frase da Galicia Vil “el castellano es tan gallego como el gallego”

Bom, as minhas observações começaram um dia que eu passava por diante duma televisão na que se estava a ver uma série chamada “Padre Casares”. Logo de observar que nem os padres nem os que faziam de gente na série tinham nenhum feitio que eu pudesse identificar como da nossa cultura... mais bem tudo me parecia uma cópia de qualquer outra cousa... fui informada pola minha filha de que a tal série tinha arrancado com os moços do lugar a querer botar um porco (referindo-se a um dos do cortelho, e não a um de duas pernas, como muitos puderam estar a pensar) do campanário em baixo, e com o cura a o evitar...

A mim lembrou-me o porquinho de São António, que ia de porta em porta com um chocalho e cada dia seu vizinho lhe botava de comer... até que estava cevado e então o senhor cura chapava-o... Bom, pois até esse dia, o dia da tal série da TVG, esse de São António era o único porco, dos do cortelho vá, que eu tinha relacionado com a Igreja...

O assunto do campanário também me lembrou ter ouvido que lá na profunda Espanha castelhana há um lugar onde diz que tiram uma cabrita dum campanário em baixo, não sei bem para celebrar que cousa. Eu então compreendi que a tal série da TVG estava a trabalhar no projecto que eu chamo “cultural global” que consiste em conseguir que tudo aquilo que é espanhol seja também galego; e nessa série se demostra que o trabalho se pode fazer não só para o futuro, que parece bem mais fácil, senão que também para o próprio passado... se algo foi espanhol, tem necessariamente que poder ter sido galego...

Se, passados os primeiros escrúpulos, somos capazes de aceitar que nalguma aldeia das nossas alguma vez se pôde ter botado a um bichinho de um campanário em baixo, estaremos mais cerca dessa transformação total... alguns passos já se levam dado nesta direcção... e eu não vou mencionar aqui o que todos bem sabemos e nos está a bater nas ventas mesmo.

E já agora tenho que falar de Pol Pot, que surpreendentemente também aparece numa série da tal TVG, e esse sim que também não é porco nosso, nem mesmo é de muita conhecia. O porco de aqui, o único porco, que até teria pontuado bem alto no “galegómetro” é um que nascera em Ferrol de Si Mesmo, e que por acaso, por ser galego demais, ou tirano demais, não é incluído na série essa das quintas-feiras onde botam o clube dos ditadores infames.

Pois sim, assim é como está tendo lugar a transformação de tudo... e quando algo é galego demais e por tanto com dificuldades para caber dentro da Espanha, pois se elimina e prontos. Por exemplo, os actores que façam de galegos não devem ser (de poder-se evitar) galego-falantes, porque têm demasiado sotaque (apague-me aí ese seseo, hombre de dios, que se le nota a las leguas que es usted de la Cuesta de la Muerte)... Ou como um amigo meu de Lugo que também tem sido mal mirado às vezes na TVG por ter um jeito de falar que parece mais galego do necessário...

Mas tudo isto não foi inventado pola TVG, eles adoptaram esse estilo mas eles não o inventaram; não, isto já vem dos anos dourados de Hollywood, daqueles clássicos onde os índios também não serviam para fazer de índios, e usavam actores brancos tingidos, ou por vezes botavam mão dos mexicanos que dissimulavam algo melhor a cor.

E isto que eu vinha observando desde há algum tempo foi-me confirmado definitivamente polos últimos acontecidos que envolvem a Real Academia Galega e o nome do nosso país; que por ser Galiza um chisco galego demais, e portanto ter dificuldades para poder ser visto como espanhol, pois se reverte o processo e já está; se faz o espanhol ser galego e assunto ressolto... isto é como o conto de Mahoma e montanha.

Depois de assumido isto “Galicia” é tão galega (até haveria que dizer “gallega” para manter a coerência, não é?) como “Galiza”, que diria o outro; e com isso a RAG põe a “puntilla”, que já agora devo dizer que aqui não vai em referência àquelas pontilhas de encaixe com as que nossas mães nos tapavam a cara quando crianças para correr o entroido o dia da mascarada... não, não é isso, isso era antes, foram tempos... aqui “puntilla” refere-se a uma cousa afiada tipo faca pequeneira com a que nesses lugares da Espanha profunda, por ai por onde atiram animais dos campanários em baixo, espetam na cabeça a algum animal nalgum de seus rituais, e é bom nós irmos-nos acostumando a esse instrumentinho, pois algum dia, como tudo, por força, terá de ser galego.

http://www.vieiros.com/opinions/opinion/462/galicia-versus-galiza

Este blogue forma parte da Rede de Blogueiras/os en defensa do Galego