A Nossa Língua é Internacional
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terça-feira, 31 de março de 2009

“Castelao non militaría hoxe no BNG”

O catedrático fala sobre o marxismo, Piñeiro, a visión que da cultura galega se ten fóra e Castelao, do que fan 25 anos da chegada dos seus restos a Bonaval.

O catedrático Xesús Alonso Montero anuncia a publicación de cando menos media ducia de libros este ano, entre eles unha investigación sobre a viaxe de Castelao á URSS en 1938, e outro sobre Ramón Piñeiro. Viron a luz xa as reedicións de Antonio Machado na nosa voz e Encuesta mundial sobre la lengua y la cultura gallegas, e mais Letras Galegas, unha compilación de artigos publicado polo profesor nos anos setenta en Triunfo e outras revistas. Tamén Cartas de republicanos galegos condenados a morte, "un libro moi importante, -di- son 120 cartas, e algunhas levo toda a vida buscándoas, dende 1966 que publiquei a primeira, de Víctor Casas, até unhas que conseguín en B.Aires en maio, dunha familiar duns fusilados".

Na obra mestúranse cartas ben distintas: "hai cartas que se escriben para a historia e outras non. No libro recóllense cartas persoais, cartas de amor que un pobre infortunado de cerca de Salvaterra lle escribiu á súa moza; o que pasa é que chegou ás miñas mans e pasou a formar parte da historia. Pero outros, cando escribían estas cartas sabían que escribían para a historia".

Esta é a introduçom à entrevista. Se queredes seguir lendo, premede aqui. E depois, a dar a vossa opiniom.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A lingua tamén entra en campaña

En youtube prosegue a loita electoral. Un vídeo amosa a práctica lingüística que algúns agochan tras do seu discurso.

O vídeo repasa as contradicións existentes entre o discurso lingüístico de PP e Galicia Bilingüe e as súas prácticas, e revela algunhas inexactitudes e falsidades difundidas por estas e outras organizacións sobre a situación legal e social da lingua en Galiza. Vemos, por exemplo, a Ana Pastor amosando un moi baixo nivel de galego, e á propia Pastor e a Núñez Feijoo cun coñecemento de inglés moi baixo igualmente. Vemos así mesmo a Corina Porro criticando con dureza ao BNG, apenas dous anos despois de ofrecerlle un pacto para gobernar a cidade de Vigo.

Escoitamos tamén os dirixentes de Galicia Bilingüe declarando nos medios que "grazas a eles" o PP votou en contra do decreto de galeguización do ensino (cando en realidade foi consensuado e votado polos tres partidos con representación parlamentaria).

Para ver a nova no seu lugar de origem, preme aqui

domingo, 11 de janeiro de 2009

"Galiza com Palestina. Nom ao massacre"

Já está ao vosso dispor o texto que se lerá na manifestaçom do domingo dia 18 que partirá às 12:00 horas desde a Alameda de Compostela até a Praça da Quintã. Está convocada e conta com o respaldo das organizaçons que assinam o Manifesto, que será finalmente ratificado no martes, dia 13 às 20:00 horas. Para lê-lo, premede na imagem.

CONTRA DA MASACRE SIONISTA EN GAZA

Para ler a nova publicada em Vieiros, de onde foi tirada a informaçom, premede aqui.

domingo, 21 de setembro de 2008

Antónia Luna, professora de galego em Buenos Aires

"Eu nom o verei, mas o reintegracionismo vai prender"

Fundadora de Amigos do Idioma Galego e mestra de galego integrado na Argentina, Antónia Luna (85 anos) visita estes dias Noia, a vila de seus pais.

Antónia é galega mália nom nascer aqui. Fijo-o em 1923 em Buenos Aires, onde reside hoje e onde exerce de embaixadora da nossa cultura. Filha do presidente fundador da Sociedade dos Filhos do Partido Judicial de Noia em Buenos Aires, o seu achegamento a todo o que tivesse o galego como definiçom foi um jeito de evoluçom natural. De nena já recitava poemas de Rosalia ou Cabanillas, e quase que aprendeu a ler coa única página galega que os domingos incorporava o jornal "Correo de Galicia". Estes forom os seus primeiros contactos coa nossa língua, um idioma que, por certo, nom empregavam os seus pais acotio, empuxados por um contexto laboral eminentemente formado por argentinos e italianos: "o meu pai era sapateiro e nom empregava o galego porque nom tivo a oportunidade, emigrou com oito anos e já nom tinha ninguém com quem falá-lo", relata Antónia.

Àquelas forom as origens, mas os vencelhos de Antónia Luna coa nossa língua estreitarom-se com o passo dos anos: hai agora 31 inscreveu-se no seu primeiro curso no Centro Galego de Buenos Aires, lugar onde conheceria ao seu mestre, entom e agora, Higino Martins Estêvez. El introduciu-na no interesse polo galego integrado, já que o outro, para Antónia, nom é máis que "castrapo, um galego arruinado". Desde entom até hoje, o trabalho pola língua que exerce esta mulher na Argentina nom encontrou freio. De aluna passou a mestra e hoje colabora na Federación de Sociedades Galegas no ensino do galego. Tenhem uns 50 alunos, interessados todos eles no conhecemento do galego "nom deturpado polos hispanofalantes", se bem os mais topam dificuldades e lamentam que esse "nom seja o galego que falavam os seus avós". Neste caminho, Antónia mesmo viveu a expulsom do Centro Galego de Buenos Aires a onde "nos proibírom a entrada porque eramos reintegracionistas, nom queriam essa história porque já iam mestres desde Galiza pagados pola Administraçom para ensinar o galego da Junta (...) foi umha decisom tomada por questões políticas".

O galego e o lunfardo

Pero as achegas de Antónia ao estudo da nossa cultura nom terminárom aí. Fundadora de Amigos do Idioma Galego, no seu interesse em profundar na nossa lingua participou em diferentes congressos. Num deles recompilou o trabalho levado a cabo por professores de galego em Buenos Aires. Noutro, aproximou-se a unha questom bem desconhecida: fijo umha recolheita dumhas 80 palavras procedentes do galego–português que ficárom na língua lunfarda (argot de origem popular que hoje ainda se fala no Rio da Prata). Termos como gaiola (por cárcere) ou tamanco (por sapato ou zanco) entre outras de origem galega empregam-se ainda hoje em contextos menos cultos desta regiom argentina.

Expectativas para o futuro

Antónia vem agora de passar uns dias em Noia onde a sua família. De aqui também levou terra galega, da horta da sua nai (da Barquinha) e da do seu pai (de Albariça), umha terra que hoje preside a sua casa bonaerense e que lhe recorda aos parentes, a Noia e a Galiza, um país do que lhe custa muito ir-se. Aqui regressa cada três anos e hoje asegura que é mais optimista com o futuro da nossa lingua: "a partir do ano 1976 eu percebo muita mais gente falando galego, hoje fala-o toda a gente nova". Em quanto ao futuro do reintegracionismo, Antónia também asegura estar esperançada: "eu sinto que hai muito interesse, na Argentina falamo-lo, isso si, como sabemos (...) penso que acá se está luitando mui a sério, lá os que luitamos somos nós".

Para ler a nova em versom original premede aqui. Ademais, contem um vídeo coa protagonista desta história. Também a podedes ver no PGL.

domingo, 24 de agosto de 2008

Melhores Jogos da história de Galiza

As quatro medalhas e os tres diplomas acadados polos desportistas galegos constituem a melhor participaçom do nosso desporto nuns Jogos Olímpicos. Com este resultado Galiza colocaria-se no 31º lugar do medalheiro, por diante de estados como Argentina, México, Portugal, Suíça ou Bélgica. Com os dous ouros acadados em vela e canoagem Galiza aporta o 40% dos atribuídos à delegaçom espanhola.

Estes Jogos Olímpicos também consolidam a David Cal como o desportista com mais medalhas da história do desporto galego, já que suma quatro, mas terá que aguardar a Londres para igualar ou superar a Pedro Cea, que segue à frente do medalheiro galego com dous ouros.

Para ler a nova enteira preme aqui

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Independência


A independência, numa ordem diferente de cousas, é claro, é para a mente que se quer pensar livre como o alimento é para o corpo que se quer vivo; e do mesmo jeito que os que vivem na fartura nunca se preocupam dos alimentos que lhes sobram, os que vivem em territórios com independência não se têm de preocupar por ela. A necessidade de independência se sente só quando a não temos, o mesmo que a necessidade de comer se sente só quando temos fome.

Uma pessoa que nunca na sua vida tivesse sentido fame dificilmente poderia imaginar como se sente a necessidade de comer; bom, essa pessoa provavelmente não sobreviveria muito tempo. Com a necessidade de independência sucede algo similar, as pessoas que moram em lugares que são independentes não sabem o que é sentir essa necessidade, porque nunca a sentiram, e negam que essa necessidade mesmo exista... E isto não só é egoísta, mas também é irracional. Imaginemos o que aconteceria se a gente que vive instalada na opulência neste planeta negasse o direito dos que morrem esfameados a tentarem procurar alimento... e em certo sentido isto também se esta a fazer, porque é um facto que há gente, mesmo crianças, morrendo por inanição...

Uma prova de que todo o mundo, todos os países, querem a independência, é que estes contam com um grupo armado para defendê-la a todo custo; e se há algum que não tenha este grupo armado, rapidamente o constitui, ou o procura entre seus amigos para defender a sua independência caso esta estar em perigo. Os grupos armados, os exércitos, não são como um grupo de dança ou uma banda de música para amenizar as tardes outonais; não, um exército é um grupo armado para defender a independência do país ao que pertence.

Então podemos deduzir que todo o país com sua independência, com seu grupo armado para defendê-la, é a favor da luta armada, ou então não teria exército; e este modelo dos países independentes é com frequência copiado polos países que não têm independência, para conseguí-la, e uns conseguem e outros não, mas mentes não conseguem todos são chamados de terroristas. Mas fora dessa forma de os nomear, as duas diferenças que eu ressaltaria são, em primeiro lugar, que os grupos armados dos países independentes têm muito mais poder (que não se deve confundir com legitimidade); e em segundo, que os que procuram a independência encontram-se com uma dificuldade acrescentada, e é que há algum outro que lhe nega o seu direito a ser independente, e mesmo lho tenta impedir.

Fora estas duas, eu não vejo maiores diferenças entre uma e outra forma de luta armada; e mesmo sendo eu contra toda forma de luta armada, como o foi Martin Luther King ou como o foi Gandhi ou como também o era Castelao, há uma cousa que acho paradoxal, e é que aos países a quem se lhes nega o direito a serem independentes, lhes é negado por outros que sim o são, e têm seu grupo armado para defendê-la, e isto eu chamo de hipocrisia, e não me parece aceitável, porque o não posso entender. Como não poderia entender que os que vivem na opulência roubassem os alimentos dos esfameados, e não por eles necessitar essa comida para viver, mas só para que os outros não vivam...

Por tanto, tentar evitar que um povo, que por circunstâncias históricas perdeu a sua independência, a recupere, é fazer que esse povo se mantenha submetido, é negar-lhe os seus direitos, e é certamente negar o próprio povo, e é também, sem dúvida, querer mantê-lo escravo... é enterrá-lo em vida, o que é a pior forma de morte... Porque para morrer todos sabemos que nascemos, e aceitamos; o que não temos por que aceitar é nascer para não existir... Neste sentido a luta pola independência é a luta pola existência; e esta luta, embora deve ser sempre levada a cabo sem usar armas que atentem contra a vida física das pessoas, é o único jeito de liberdade que nos resta...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Galicia versus Galiza

Num artigo anterior a este falava eu de como tudo que é galego tem necessariamente que ser espanhol; agora venho de dar um passo mais à frente na minha hipótese, e logo de ter feito umas observações que vou partilhar aqui, afirmo que a relação espanhol-galego é muito mais complexa do que eu tinha antecipado e que hoje posso afirmar que... “tudo o que é espanhol é, ou é susceptível de ser, galego” .

Já o afirmava a famosa frase da Galicia Vil “el castellano es tan gallego como el gallego”

Bom, as minhas observações começaram um dia que eu passava por diante duma televisão na que se estava a ver uma série chamada “Padre Casares”. Logo de observar que nem os padres nem os que faziam de gente na série tinham nenhum feitio que eu pudesse identificar como da nossa cultura... mais bem tudo me parecia uma cópia de qualquer outra cousa... fui informada pola minha filha de que a tal série tinha arrancado com os moços do lugar a querer botar um porco (referindo-se a um dos do cortelho, e não a um de duas pernas, como muitos puderam estar a pensar) do campanário em baixo, e com o cura a o evitar...

A mim lembrou-me o porquinho de São António, que ia de porta em porta com um chocalho e cada dia seu vizinho lhe botava de comer... até que estava cevado e então o senhor cura chapava-o... Bom, pois até esse dia, o dia da tal série da TVG, esse de São António era o único porco, dos do cortelho vá, que eu tinha relacionado com a Igreja...

O assunto do campanário também me lembrou ter ouvido que lá na profunda Espanha castelhana há um lugar onde diz que tiram uma cabrita dum campanário em baixo, não sei bem para celebrar que cousa. Eu então compreendi que a tal série da TVG estava a trabalhar no projecto que eu chamo “cultural global” que consiste em conseguir que tudo aquilo que é espanhol seja também galego; e nessa série se demostra que o trabalho se pode fazer não só para o futuro, que parece bem mais fácil, senão que também para o próprio passado... se algo foi espanhol, tem necessariamente que poder ter sido galego...

Se, passados os primeiros escrúpulos, somos capazes de aceitar que nalguma aldeia das nossas alguma vez se pôde ter botado a um bichinho de um campanário em baixo, estaremos mais cerca dessa transformação total... alguns passos já se levam dado nesta direcção... e eu não vou mencionar aqui o que todos bem sabemos e nos está a bater nas ventas mesmo.

E já agora tenho que falar de Pol Pot, que surpreendentemente também aparece numa série da tal TVG, e esse sim que também não é porco nosso, nem mesmo é de muita conhecia. O porco de aqui, o único porco, que até teria pontuado bem alto no “galegómetro” é um que nascera em Ferrol de Si Mesmo, e que por acaso, por ser galego demais, ou tirano demais, não é incluído na série essa das quintas-feiras onde botam o clube dos ditadores infames.

Pois sim, assim é como está tendo lugar a transformação de tudo... e quando algo é galego demais e por tanto com dificuldades para caber dentro da Espanha, pois se elimina e prontos. Por exemplo, os actores que façam de galegos não devem ser (de poder-se evitar) galego-falantes, porque têm demasiado sotaque (apague-me aí ese seseo, hombre de dios, que se le nota a las leguas que es usted de la Cuesta de la Muerte)... Ou como um amigo meu de Lugo que também tem sido mal mirado às vezes na TVG por ter um jeito de falar que parece mais galego do necessário...

Mas tudo isto não foi inventado pola TVG, eles adoptaram esse estilo mas eles não o inventaram; não, isto já vem dos anos dourados de Hollywood, daqueles clássicos onde os índios também não serviam para fazer de índios, e usavam actores brancos tingidos, ou por vezes botavam mão dos mexicanos que dissimulavam algo melhor a cor.

E isto que eu vinha observando desde há algum tempo foi-me confirmado definitivamente polos últimos acontecidos que envolvem a Real Academia Galega e o nome do nosso país; que por ser Galiza um chisco galego demais, e portanto ter dificuldades para poder ser visto como espanhol, pois se reverte o processo e já está; se faz o espanhol ser galego e assunto ressolto... isto é como o conto de Mahoma e montanha.

Depois de assumido isto “Galicia” é tão galega (até haveria que dizer “gallega” para manter a coerência, não é?) como “Galiza”, que diria o outro; e com isso a RAG põe a “puntilla”, que já agora devo dizer que aqui não vai em referência àquelas pontilhas de encaixe com as que nossas mães nos tapavam a cara quando crianças para correr o entroido o dia da mascarada... não, não é isso, isso era antes, foram tempos... aqui “puntilla” refere-se a uma cousa afiada tipo faca pequeneira com a que nesses lugares da Espanha profunda, por ai por onde atiram animais dos campanários em baixo, espetam na cabeça a algum animal nalgum de seus rituais, e é bom nós irmos-nos acostumando a esse instrumentinho, pois algum dia, como tudo, por força, terá de ser galego.

http://www.vieiros.com/opinions/opinion/462/galicia-versus-galiza

A ideologia debaixo da língua

Há poucos dias, a intervençom da ministra espanhola da Igualdade, utilizando numha comissom parlamentar, segundo depois explicou, por lapsus linguae, a forma ‘membra’ como feminino de ‘membro’, provocou a reacçom imediata e unánime da masculinidade ferida polo que nalgum meio chegárom a qualificar de ‘maltrato ao idioma’.

Nem simpatizo com o PSOE, nem me preocupa especialmente a saúde do espanhol, mas sim me parece digna de comentário essa reacçom quase unánime, que juntou no mesmo coro de agravados algum deputado do PSOE como Alfonso Guerra, jornalistas como Pedro J. Ramírez e académicos ‘de la lengua’ como Gregorio Salvador.

O primeiro –Alfonso Guerra– pediu que se deixasse “viver sozinha” a língua espanhola, evitando impor critérios elitistas à sociedade. Curiosa pretensom dirigida à língua que detém a oficialidade obrigatória em todo o Estado, contando com um potente aparelho institucional como sustento, e que goza de muitos milhons de euros anuais dedicados à promoçom internacional através, por exemplo, do Instituto Cervantes.

Por seu turno, Gregorio Salvador, filólogo e membro da Real Academia Española (RAE), mais partidário do ‘intervencionismo’ em matéria lingüística, aproveitou também a polémica para pedir, literalmente, que o governo espanhol se deixe de “brincadeiras de mau gosto, e se ocupe de resolver problemas de desiguladade preocupantes que há em Espanha, como as dificuldades que tenhem os pais em algumhas comunidades para que os filhos estudem castelhano”.

E quanto ao presidente do jornal conservador El Mundo, Pedro J. Ramírez, praticou o velho recurso da reduçom ao absurdo, na tertúlia radiofónica em que participa, mostrando umha grande sensibilidade com a integridade do idioma espanhol e ridicularizando as pretensons igualitárias em matéria de usos lingüísticos.

Contra as idealistas pretensons de quem defende qualquer língua como essência alheia ao meio social que lhe dá vida, já nos anos vinte do século XX, um lingüista marxista da Rússia soviética formulou um princípio incontornável na análise objectiva da realidade social das línguas: o signo lingüístico é, por definiçom, ideológico.

Com efeito, Mikhail Bakhtin, um dos grandes da ciência lingüística do passado século, descreveu como qualquer formulaçom lingüística, desde que constitui umha representaçom da realidade e nom a realidade mesma, supom por definiçom umha projecçom influída por quem cria o discurso e polas condiçons em que se produz. Anteriormente, alguns antropólogos decimonónicos defenderam o contrário: que eram as línguas que determinavam as culturas, o pensamento e a visom do mundo das pessoas e dos povos.

Hoje sabemos que as línguas som, com efeito, produtos sociais, materializaçons do pensamento e das ideias confrontadas no palco social da comunicaçom, submetidas portanto ao filtro ideológico e aos valores dominantes de cada comunidade lingüística: ao contrário do que afirma o referido deputado jacobino do PSOE, as línguas nom podem “viver sozinhas”, porque dependem das pessoas, dos grupos e das formaçons sociais que as recriam continuamente, inclusive em ámbitos em que nom existe conflito lingüístico como o que corresponde à sociedade em que vive Alfonso Guerra.

Os que, como ele, como Gregorio Salvador ou como Pedro J. Ramírez, clamam em defesa das tábuas da lei da gramaticalidade, como se essas nom fossem também produto de umha concepçom social concreta, abrigam umha concepçom classista e sexista própria das elites que vetárom, em nome da ‘ordem natural das cousas’, o acesso das mulheres ao sufrágio. As mesmas ideias que ainda servem para vetar, por exemplo, a integraçom da populaçom cigana nos bairros das cidades galegas.

Nom sei se no futuro o espanhol, o catalám ou o galego-português irám habilitar, concretamente, um feminino da forma ‘membro’, certamente anti-etimológica e percebida como malsoante, critério estético e como tal mais subjectivo do que objectivo. Sei é que outras formas também contrárias às leis da lingüística assepticamente machista fôrom já habilitadas com sucesso, violentando os bons costumes académicos e o machismo oculto sob a pele do gramático. Ou como se explica, entom, a correcçom actual de substantivos como ‘presidenta’ e ‘juíza’, entre outros muitos até há poucos anos excluídos dos padrons de qualquer das línguas referidas, com base em critérios gramaticalistas?

As línguas som património exclusivo das sociedades humanas e nom entes alheios ou com vida própria para além de aquilo que os grupos sociais determinarem em cada altura histórica. Sendo tam necessário banir as flagrantes discriminaçons de que som alvo diferentes colectivos sociais por razom de sexo, de raça, de classe ou de procedência, as línguas nom podem ficar à margem desse combate pola igualdade e pola justiça, em nome de reaccionários purismos académicos. E, ainda menos, servir de álibi para quem só quer perpetuar as dominaçons subjacentes a cada uso lingüístico discriminatório.

http://www.vieiros.com/opinions/opinion/460/a-ideologia-debaixo-da-lingua

Maurício Castro

Este blogue forma parte da Rede de Blogueiras/os en defensa do Galego